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Problemas que a medicina superou para tornar as cirurgias mais seguras e eficazes

As cirurgias como conhecemos atualmente, surgiram apenas no final do século XIX. Antes disso eram atos grosseiros e desesperados, frequentemente realizados de maneira desastrosa e, ao invés de salvar vidas, causavam muito sofrimento e uma enorme taxa de mortalidade.

Com evidências encontradas de operações realizadas até 6.500 anos antes de Cristo, a cirurgia é uma das práticas médicas mais antigas que se tem conhecimento.
Durante séculos os procedimentos cirúrgicos eram atos grosseiros e desesperados, frequentemente realizados de maneira desastrosa e, ao invés de salvar vidas, causavam muito sofrimento e uma enorme taxa de mortalidade. O primeiro grande desafio foi parar o sangramento excessivo.
A cirurgia era considerada na época como um último recurso, e somente era feito o procedimento quando não havia mais alternativas para salvar os pacientes.

Parar o sangramento foi o primeiro grande desafio dos cirurgiões para reduzir o número de mortes em operações (Foto: GETTY IMAGES via BBC)

As cirurgias como conhecemos atualmente surgiram apenas no final do século XIX. E algumas literaturas médicas indicam que somente a partir do século XX, as chances de morrer após uma cirurgia passaram a ser menores que as de sobreviver.
Muito diferente das cirurgias atuais, que são realizadas com técnicas minimamente invasivas, reduzindo tempo de recuperação e melhorando significativamente as taxas de sobrevivência.
Vários desafios foram superados para termos cirurgias seguras e eficazes. Entre eles, podemos citar os principais:

1 – Como parar a perda de sangue

Durante muito tempo, um dos principais problemas de uma cirurgia era o paciente sangrar até morrer.

Quando o corpo humano perde mais de 20% de seu sangue, diminui a velocidade dos batimentos do coração e o sangue circula pelo corpo com uma quantidade insuficiente, podendo sofrer um choque hemorrágico. E se perder mais de 40%, os órgãos começam a se fechar e o paciente provavelmente não vai sobreviver.

Durante muito tempo, as cirurgias causaram uma enorme taxa de mortalidade e grande sofrimento, ao invés de salvar vidas (Foto: GETTY IMAGES via BBC)

Alguns métodos foram utilizados no decorrer do tempo:

  • Ligadura – fechamento permanente de um vaso sanguíneo por meio de sutura. era utilizados pelos médicos da Grécia antiga.
  • Torniquete – foi desenvolvido no século XVI para tratar amputações.
  • Cauterização – usava uma ferramenta metálica aquecida no fogo para fechar a ferida.

O problema é que se o paciente já tivesse tido uma perda significativa de sangue, nenhuma dessas técnicas funcionaria.

A perda de sangue durante as cirurgias só foi começar a ser resolvido em 1901 com a transfusão de sangue, quando Karl Landsteiner descobriu que o compartilhamento de sangue era possível entre grupos sanguíneos compatíveis. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 1930 por essa descoberta

2 – Como evitar a dor

Até meados do século XIX não se utilizava anestesia para realizar cirurgias, os pacientes sofriam com muita dor e sofrimento. Muitos entravam em choque devido à dor extrema.

Durante muito tempo, usava-se substâncias sedativas como álcool, plantas medicinais e algumas drogas para tentar aliviar a dor.
Em 1804 no Japão, o médico Seishu Hanao utilizou uma poção feita a partir de plantas para adormecer sua paciente com câncer de mama para realizar uma mastectomia. Esse é o primeiro registro de anestesia geral.

O clorofórmio começou a ser usado nas operações no final do século 19 (Foto: GETTY IMAGES via BBC)

Nesse período, alguns médicos começaram a utilizar gases como anestésicos, como o óxido nitroso e o dióxido de carbono.

Mas a comunidade científica da época não deu a devida importância. O interessante é que esses dois gases são utilizados até hoje como anestésicos.

O primeiro anestésico geral usado para cirurgias foi o éter dietílico, identificado por Michael Faraday em 1818.
Outra substância utilizada pelos cirurgiões no Reino Unido foi o clorofórmio. Embora fosse mais arriscado, eles consideravam mais fácil de administrar. E, junto com o éter, eles tornaram a anestesia comum a partir do final do século XIX.

Louis Pasteur foi o primeiro a reconhecer a existência de germes e Joseph Lister criou um sistema para combatê-los durante uma operação (Foto: GETTY IMAGES via BBC)

Um dos primeiros a apontar isso foi o médico britânico Humphrey Davy, que descobriu em 1798 que o gás de óxido nitroso, mais conhecido como gás hilariante, aliviava a dor. Mas a comunidade científica não deu importância.

Henry Hill Hickman testou o dióxido de carbono como anestésico na década de 1820, mas sua descoberta também foi desmerecida.

Ironicamente, tanto o dióxido de carbono quanto o óxido nitroso são usados até ​​hoje como anestésicos.

O primeiro anestésico geral usado para cirurgias foi o éter dietílico, identificado por Michael Faraday em 1818. Mas ele começou a ser utilizado décadas depois de sua descoberta – já que no começo, assim como o óxido nitroso, foi apenas usado como diversão por causa de seus efeitos alucinógenos.

No Reino Unido, os cirurgiões começaram a usar outra substância, o clorofórmio, que consideravam mais fácil de administrar, embora fosse mais arriscado. Juntamente com o éter, eles tornaram a anestesia uma prática comum no final do século 19, fazendo com que as cirurgias não fossem mais uma tortura.

3 – Como prevenir infecções

Um outro problema a ser resolvido para melhorar as chances de sobrevivência dos pacientes eram as infecções.

Pois até os procedimentos pequenos poderiam ser fatais se houvesse infecção na ferida.
No século XIX, os cirurgiões não conseguiam entender como as infecções ocorriam e muitos pacientes morriam após a cirurgia, mesmo quando tinham sido operados com sucesso.

Ilustração mostra Lister pulverizando um paciente com ácido carbólico (Foto: GETTY IMAGES via BBC)

Esse problema foi resolvido graças ao médico britânico chamado Joseph Lister, que em 1844 desenvolveu um sistema para impedir que os germes entrassem na ferida, criando uma barreira química, que ele chamou de antisséptico. Para isso, ele usou ácido carbólico, que matava os germes.
Além disso, ele também desenvolveu um protocolo cirúrgico rigoroso que reduziam as chances de infecção, lavando os instrumentos com ácido carbólico e criando um sabonete com base neste ácido para a equipe que realizaria a cirurgia. Seus métodos reduziram drasticamente as mortes por infecção na sala de cirurgia.
Na década de 1940, finalmente foi descoberto o antibiótico, uma nova forma de combater as infecções e fazendo com que as cirurgias fossem procedimentos seguros e eficazes como conhecemos hoje.

Conclusão

Finalmente, a descoberta dos antibióticos na década de 1940 deu aos médicos uma nova arma para combater infecções e fez das cirurgias os procedimentos seguros e eficazes que conhecemos hoje.

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